Há meses eu me afastei. Não foi por falta de vontade. Foi porque a vida chegou com tudo — e às vezes, tudo pesa mais do que conseguimos carregar em público.
Existe um tipo de silêncio que não é vazio.
É o silêncio de quem está tentando respirar. De quem acorda de manhã e precisa se lembrar por que vale a pena se levantar. De quem olha para o espelho e mal se reconhece — porque a dor transforma a gente, antes que a cura tenha chance de começar.
Eu vivi esse silêncio.
E se você já viveu também, saiba: você não esteve sozinha. E eu também não estive.
O peso que ninguém vê
Os últimos meses foram marcados por perdas. Perdas que doem de formas que não cabem em palavras, mas que vou tentar traduzir da melhor maneira que consigo.
Perder não é só sobre a morte — embora a morte também tenha batido à minha porta. Perder é sobre despedidas que não foram ditas a tempo. É sobre sonhos que desmoronaram. É sobre versões de nós mesmas que ficaram pelo caminho. É sobre acordar num dia e sentir que o chão simplesmente… sumiu debaixo dos seus pés.
E sabe o que ninguém te conta sobre o luto e sobre a dor profunda?
Que eles não têm prazo. E que isso está tudo bem.
A nossa sociedade tem pressa. Pressa para que você “supere logo”, para que você “fique bem”, para que você “siga em frente”. Mas ninguém te diz que seguir em frente não significa esquecer — significa aprender a caminhar com a saudade no bolso, com a cicatriz no peito e, ainda assim, escolher seguir.
Resiliência não é invencibilidade
Por muito tempo, eu confundi resiliência com não sentir. Achei que ser forte era não chorar, não travar, não pedir ajuda. Que uma mulher forte era aquela que aguentava tudo — sozinha, em silêncio, sem deixar escapar nem uma lágrima.
Eu estava errada.
Resiliência é exatamente o oposto disso.
É chorar e ainda assim acordar no dia seguinte. É travar, mas aceitar a mão que alguém estende. É dizer “eu não estou bem” e permitir que alguém esteja ao seu lado enquanto você tenta encontrar o caminho de volta.
Nós, mulheres, carregamos tanto. Carregamos as dores que são nossas e muitas vezes as que não são também. E às vezes, no meio de tanto cuidar dos outros, esquecemos de cuidar de nós mesmas.
A ciência já comprova o que o coração sente: seres humanos não foram feitos para suportar a dor sozinhos. Somos, na nossa essência mais profunda, seres de conexão. E é nas relações — nas palavras de carinho ditas na hora certa, no abraço que não precisa de explicação, no silêncio compartilhado com quem amamos — que encontramos forças que nem sabíamos que tínhamos.
Eu encontrei as minhas assim.
Em mensagens simples. Em olhares que disseram “eu estou aqui” sem precisar de som. Em pessoas que ficaram, mesmo quando eu não tinha muito a oferecer.
Se você tem pessoas assim na sua vida, guarde-as. São tesouros raros.
Onde se esconde a felicidade quando tudo desmorona?
Essa foi a pergunta que me perseguiu por meses.
E a resposta que encontrei não estava em grandes epifanias. Estava nos fragmentos.
Na xícara de café que ainda tinha gosto. No pôr do sol que insistiu em ser bonito, mesmo num dia horrível. Na risada que escapou sem permissão, em meio à tristeza. No abraço de quem amamos, que simplesmente apareceu na hora certa.
A felicidade, quando tudo desmorona, não vem em blocos inteiros. Ela vem em migalhas. E a gente aprende a se alimentar delas.
E pouco a pouco, as migalhas viram fatias. As fatias viram pães inteiros. E você percebe que, sem saber exatamente quando, você começou a se reconstruir — mais forte, mais inteira, mais sábia do que antes.
Propósito: o antídoto para o vazio
Viktor Frankl, psiquiatra que sobreviveu aos campos de concentração nazistas e autor do livro Em Busca de Sentido, disse uma coisa que nunca mais saiu da minha cabeça:
“Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como.”
Nos meus piores momentos, deitada no escuro com o peso do mundo no peito, eu me perguntei: qual é o meu porquê?
E a resposta voltou, tímida no começo, mas cada vez mais clara e luminosa:
Ajudar pessoas.
Escrever. Compartilhar. Criar pontes entre experiências que parecem isoladas — e mostrar que não estamos tão sozinhas quanto pensamos. Que a dor de uma ecoa na outra. Que a superação de alguém pode acender uma chama em quem está no escuro.
Esse é o meu propósito. E foi ele que me trouxe de volta aqui, para esse espaço, para você. Se você quiser conhecer mais sobre o trabalho que desenvolvo, acesse o meu site e veja como podemos caminhar juntas.
Uma carta para quem precisa ouvir isso hoje
Se você chegou até aqui, talvez esteja passando por algo difícil. Talvez você também esteja no meio daquele silêncio pesado. Talvez esteja se perguntando se vai conseguir — se tem forças suficientes, se o dia vai clarear, se a dor vai passar.
Então me permite te dizer, de mulher para mulher, de coração para coração:
Vai.
Não perfeitamente. Não sem cicatrizes. Não no tempo que os outros esperam. Mas vai.
Permita-se sentir tudo o que está sentindo — a raiva, a tristeza, o medo, a saudade. Não existe sentimento errado. Existe sentimento não processado.
Busque as pessoas que te amam. Aceite o colo. Peça ajuda. Chore junto. Ria quando der. Descanse quando precisar. E não se cobre tanto — você já está fazendo o que pode, e isso é suficiente.
E quando você estiver pronta — no seu tempo, no seu ritmo, sem pressa — dê um passo. Só um. Ele já é suficiente.
Porque resiliência não é sobre não cair. É sobre decidir, todos os dias, se levantar.
Eu voltei. Diferente, mas inteira. Com mais cicatrizes, mas também com mais sabedoria. Com a saudade de quem perdi gravada no peito, e a gratidão por quem ainda tenho bem pertinho de mim.
E eu trouxe comigo um compromisso: criar conteúdos que realmente importem. Que ajudem você a viver melhor no século XXI — com mais leveza, mais presença e mais propósito.
Bem-vinda de volta. Ou bem-vinda pela primeira vez.
Namastê

